Brasil terá de rever planejamento elétrico se economia crescer acima do esperado, diz ONS

Se a economia brasileira crescer além do esperado, o planejamento do setor elétrico terá de ser revisto para acompanhar a demanda. Foi o que disse na manhã desta quarta-feira (13) o diretor do Operador Nacional do Sistema (ONS), Luiz Barata. Ele afirmou, no entanto, que não há risco de desabastecimento e que fontes renováveis são a principal aposta para aumentar a geração de energia no país.

“[Se o PIB crescer mais que o esperado] Naturalmente vamos ter que rever nosso planejamento, mas as novas fontes de geração (de energia elétrica) atuais têm muito menor tempo de maturação, isso que nos dá conforto para dizer que mesmo que tenhamos crescimento acelerado da economia, nossa capacidade instalada poderá ser adequada a esse crescimento”, disse Barata.

A afirmação foi feita durante evento com empresários italianos na sede da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), no Centro do Rio. Barata enfatizou que “mesmo que tenhamos um crescimento acelerado da economia, nossa capacidade instalada será capaz de fazer frente a esse crescimento.”

O país não corre o risco de desabastecimento energético, segundo Barata, porque possui grande vocação para uso de energia renovável, sobretudo eólica e fotovoltaica, cujos projetos são de rápida execução.

Barata destacou que, atualmente, o Sistema Interligado Nacional (SIN) é responsável pela geração de mais de 99% de toda a energia consumida no país. A exceção é o estado de Roraima, que deverá ser interligado à rede nos próximos anos.

Crescimento das energias renováveis

A geração de energia no Brasil é predominantemente de origem hidráulica. Em 2018, 87,5% da energia gerada no país partiu das 152 usinas hidrelétricas instaladas em 16 bacias do território nacional. O diretor do ONS destacou, no entanto, que há investimento para mudar a matriz energética do país.

Segundo Barata, em 2018 houve aumento de 9,9% na geração de energia a partir de fontes renováveis, sobretudo a eólica.

Conforme divulgado pelo ONS em meados de 2017, a expectativa é que em cinco anos a matriz eólica seja ampliada em 25%, enquanto a fotovoltaica cresça 282% no mesmo período.

“É importante mencionar que ainda é centralizada, pequena, a participação da fotovoltaica distribuída no Brasil, mas há espaço para crescer muito”, enfatizou Barata durante o evento com os empresários italianos.